2 de mar. de 2012

Os olhos acusadores.

Havia um vilarejo, no interior de Minas Gerais, onde moravam seu João e outras pessoas que não saíam dali para nada.

Sendo pequeno o lugar, os morado­res sabiam de tudo o que se passava na vida alheia.

Certo dia, seu João precisou ir à cidade grande. Lá che­gando, na vitrine de uma loja avistou um espelho. Seu João ficou pasmo e com o espelho na mão gritou:

Mas o que o retrato do meu pai está fazendo aqui? Isso é um espelho - explicou o dono da loja.

O senhor conheceu o meu pai? Sorrindo, o lojista explicou: Isso é um espelho.

Não é! É o retrato de meu pai! Olha o rosto, a testa, o cabelo. E aquele sorriso desajeitado!

Seu João quis saber o preço e o comerciante vendeu-lhe baratinho. Naquele dia, seu João exibia um sor­riso de imensa alegria. Ao chegar em seu vilarejo, todos queriam saber.

Deve ser um presente! Não é só uma caixa!

Chegando em casa e entrando com cuidado, colocou o espelho den­tro de uma gaveta no seu quarto, e sua esposa ficou a observar curiosa.

No dia seguinte, ao sair para traba­lhar, sua mulher correu para o quarto, abriu a gaveta e, afastando-se, fez o sinal da cruz. Fechou a gaveta e exclamou:

Ah, Meu Deus, é o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim. A outra é linda, que pele... Ela é mil vezes mais bonita do que eu.

Quando seu João voltou do traba­lho, achou a casa toda desarrumada e a sua mulher chorando no chão. 

Ele indagou: O que foi isso, mulher? E ela lhe respondeu:

-Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela jararaca naquele retrato?

Que retrato? - perguntou. Aquele mesmo que você escon­deu na gaveta!

Mesmo sem entender ele respon­deu: Aquele é o retrato de meu pai. Indignada, disse:

Cachorro, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jararaca feia? Velho lazarento coisa nenhuma! gritou o homem ofendido.

Outras pessoas, escutando a gri­taria, entraram para saber do que se tratava, encontraram a vizinha chorando e uma pessoa disse: Nunca gostei deste homem! Isso mesmo, larga dele.

Aquele cafajeste arrumou outra! Ontem eu encontrei ele escondendo um pacote na gaveta e era o retrato de outra mulher.

Uma velhinha muito ansiosa foi ver a tal mulher, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos, soltou uma gargalhada e disse:

Essa mulher parece sua bisavó! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, arruinada, torta que eu já vi até hoje. E completou feliz, abraçando a vizinha:

Fica tranquila, a bruxa Velha lá do retra­to já está com os dois pés na cova!

Moral da história: 

"Tome cuidado antes de tirar conclusões precipi­tadas."

Fiquem com Deus.

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